sexta-feira, 23 de outubro de 2015

COMO CONSEGUI SAIR DO SUFOCO SEM INVESTIR NADA.

                                   USANDO ALGUNS BALDES DE TERRA.


Ha alguns, muitos anos atrás,
Estava passando por uma dificuldade financeira,
Muito mais severa das que tinha passado antes,
E nunca mais passei por outra semelhante aquela.
Olhando para todos os lados do ambiente em estado desesperador,
Pois a água e a luz já tinham sido cortadas.
Mais do que justo, né?
Se não houve pagamento, o certo é interromper o fornecimento.
E se estava preocupada antes dos cortes,
Passei a martelar o cérebro e quase que enlouquecida,
Por não saber por onde pegar, para começar a agir,
Do quarto passei a andar pela casa toda.
Tinha guardados comigo, alguns que eram pouquíssimo,
Para comprar o arroz, azeite e se por acaso viesse a sobrar,
Talvez o feijão.
Mas a compra ainda não tinha acontecido porque o gás,
Tinha dado adeus, dias antes.
Como gentinha com "G" maiúsculo, assim feito eu,
Não passa pelos outros com a intenção em ferir e lesar,
Fiquei ali de cabeça fervilhando.
Andando pela casa e mexendo aqui, ali e acolá,
Achei umas dúzias de bolinhas de gude,
Que meu filho usava como diversão com seus amigos.
Estavam dentro de uma gaveta pedindo para serem usadas.
Estavam quase sem uso e por muito tempo guardadas.
Ali com elas nas mãos vibrei de alegria,
Pois estava certa que tinha achado a ponta do fio da meada,
Que havia se perdido.
Guardei-as novamente no local que estavam,
Peguei o dinheiro e fui até a uma loja que vendia,
Materiais para construção e pedi alguns,
Poucos quilos de cimento e voltei esperançosa pra casa.
Ao chegar, passei mão de um balde e uma enxada,
E sai à procura de terra.
Achando, fiz umas quatro viagens,
E depositei-as sobre a lage superior da casa.
Depois de quase tudo depositado,
Fui a um terreno sem construção e com a água já instalada,
E com o consentimento do dono que já havia me permitido dias antes,
E levei a água para começar a minha obra de arte.
E eu estava esperançosa no acerto.
Ali comecei e resolvi o problema que hoje,
Considero ser um verdadeiro milagre.
A minha criação ficou um tanto bizarra.
Pois acabei dando vida a bois sorrindo feito gente.
Cavalos com cara de não sei o quê e de olhos esbugalhados.
Depois de secos e com fome, pintei-os, e saí para vendê-los.
Para ir até ao local de venda, molhei uma toalha com sabonete,
Coloquei um salto alto, numa sacola e uns quatros bichinhos,
Numa caixa de madeira que ganhei de um comerciante,
E  passei a caminhar cerca de vinte quilômetros.
Sai de casa, quatro e onze da madrugada, e a pé,
Para que chegasse bem cedo, onde imaginei que seria um local bom,
Para venda.
E cheguei.
Ao chegar, descansei a caixa ao chão e com o pano umedecido dei uma geral,
Passei o pente nos cabelos, subi no salto e com poucas ofertas,
Todos os meus bichinhos, tinham se ido.
Voltei de ônibus e dessa vez, enchi a caixa com o resto,
E fui terminar o que tinha começado.
À tarde, fui ao mercado, comprei o gás e alguns alimentos e mais cimento.
Foi assim que saí do sufoco e com pouco tempo,
Estava com a casa iluminada e a água fazendo festa comigo.
Só parei de fazer porque o meu pulso se abriu,
E não tive como mais como moldar a massa.
Muitos podem até pensar;
Isso é ganhar dinheiro?
Para mim foi.
Foi assim que voltei ao meu estado normal da pobreza,
Sem prejudicar ninguém





































                                MARY PEGO

Nenhum comentário:

Postar um comentário