FOI O QUE NÃO PASSEI FRIO.
Tinha uns seis anos de idade, e numa tarde, mais ou menos, lá pelas dezoito horas,
foi quando uma mulher passou por nossa casa, e perguntou por mamãe.
No que mamãe foi informada que havia alguém que queria lhe falar,
saiu sorrindo, alegre como sempre fazia com todos que se aproximavam da gente.
Era muito gentil a minha doce e amada mamãe.
A mulher que estava ali a espera de mamãe, trazia um convite, que nos convidava para irmos a igreja batista no outro dia, à tarde. Disse que ia haver distribuição de prêmios, que de fato aconteceu, e que fui premiada por três vezes, na mesma tarde. Coisa que me deixou ainda mais saltitante de alegria.
ANTES QUE CONCLUA O TEXTO, QUERO AGRADECER A IGREJA BATISTA POR ME PROPORCIONAR TANTAS, INÚMERAS ALEGRIAS. EU AMO OS MEMBROS DESTA IGREJA, E TODOS MORAM EM MEU CORAÇÃO. MESMO NÓS NÃO PERTENCENDO A ESSA DENOMINAÇÃO, FIZERAM MUITAS COISAS BOAS PRA GENTE. MUITO OBRIGADA DE TODO O MEU CORAÇÃO!
Os prêmios que ganhei, foram;
_Uma peça de flanela com cinquenta metros de pano xadrez vermelho com preto, e dois cobertores chamados de "seca poço".
Eram fraquinhos e fininhos, mas ninguém pode imaginar, o quão importante foi para mim.
Jamais me esquecerei de tamanha generosidade e respeito por mim.
Mamãe, como tinha uma máquina de costura e sabia costurar, mal, mas dava para o gasto, no outro dia passou a confeccionar casacos e calças compridas, para todos nós, inclusive para os vizinhos.
Ninguém mais passava por nós sem estar vestido de xadrez.
Mas uma vizinha que tinha adotado um garoto e que o fazia o tempo inteiro de saco de pancadas, mesmo com o frio rachando e ele sem nem um agasalho, não aceitou a roupa.
Era um menino doente, vivia todo inchado pelos mal tratos.
O dia inteiro se via aquela agonia por morarem muito perto da nossa casa e eu passava a chorar junto com ele.
Eu estava aquecida, mas deixei a felicidade ir para longe do meu coração, ao presenciar tanta dor.
A casa deles tinha fendas pelas paredes e podíamos vê-lo agonizar.
Era triste, pálido e muito choroso.
Quando a amaldiçoada, com seu marido, saiam para passear, demoravam uma semana para voltar,
mas iam e deixavam o garoto preso num quarto sem alimentos.
PARECE LOUCURA, MENTIRAS, INVENÇÕES, MAS INFELIZMENTE, NÃO É.
O GAROTO REGINALDO, GEMIA DE FRIO.
Isso aconteceu, lá pelo ano de sessenta e seis.
Aquele ano, estávamos levando uma vida, ( pobre) farta.
Pensei;
_Não vou deixá-lo morrer de fome.
Procurei um frasco no único lixão que tinha na cidadezinha, lavei a meu modo, enchi de café com leite, enfiei pela fresta da parede, e todos os dias o dava para sugar a bebida.
A comida fazia o mesmo.
Arranjei um papelão, colocava a comida, esfriava bem, fazia um rolo enfiava pela fresta e despejava em sua boca.
Nunca fazia sozinha, sempre algum dos meus irmãos, estava comigo.
Devem se lembrar disso.
Sou um tanto impulsiva e por ser assim, tenho vontade de gritar pelo seu nome.
Quando me lembro dele, me entristeço de tal forma que as minhas lágrimas, vem à tona.
Sempre me questiona;
_Onde é que se encontra, aquele anjo sofrido..
Quanto sofrimento para uma criança.
Aquele casal de malditos, devem estar abraçados com o capeta ha muito anos.
Sei que a chance deste garoto ter sobrevivido, é quase zero, mas ainda sonho em reencontrá-lo.
CREIO QUE SORTE EXISTE.
Se isto viesse acontecer , lhe daria o abraço mais gostoso do mundo.
REGINALDO, TE AMO! ESPERO QUE VOCÊ ESTEJA BEM.
VIVO O PROCURANDO EM MEUS SONHOS.
MARY PEGO
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