sábado, 21 de julho de 2018

REDEGUENGUEGUE

                                              OI?


Logo de manhã, se ouviu o barulho dos cachorros que enraivecidos investiam e ao mesmo tempo gritavam como se estivessem sendo alvejados por objetos e as palmas insistentes não davam tréguas, acompanhadas por alguns gritos roucos.
_Sai cachorro! Saaaai! saaaaaai! saaaaaaaaaaaaai....!
Maria se levantou apressada e não demorou nada, estava ela entrando pra dentro de casa conduzindo um senhor de pele muito branca, jovem, atarracado, mal vestido e mal cheiroso. O homem tropeçava nas coisas bem mais visíveis, como uma parede e desviava das minúsculas. Sentou-se guiado por Geraldo o esposo que o recebeu na entrada da cozinha o despejando perguntas porque já demonstrou muito incomodado com a visita surpresa.
   _O senhor está a passeio? Viajando? É daqui da região?...O que faz aqui...?
Fazia uma pergunta atrás da outra, antes mesmo de ter recebido a primeira resposta.
O lutador e agressivo dos cães sem dar uma resposta, pediu um copo d'água e sequer conseguia saber de onde estava sendo direcionado o copo que continha o líquido que saciaria a sua sede. Precisou de ajuda para que um dos meninos levasse a sua mão ao copo, mas antes que isso viesse a acontecer a sua mão rápida e bobinha de tudo, a toda hora era metida por baixo das saias das mulheres e adolescentes que assustadas e envergonhadas pulavam para trás.
Sim, as vizinhas que moravam parede-meia, ao ouvir o falatório, já estavam de prontidão.
Geraldo por já estar bastante nervoso com a situação, gritava:
_Não enfia a mão por baixo das saias da minha mulher. O senhor tem problema de vista?
_Redeguenguegue. Resmungou o atrevido como que acanhado estivesse.
_Fala mais alto e claro, senão eu te arrebento todinho.
_Não sou daqui, sou de Redeguenguegue.
_Oi? Nunca ouvi falar dessa cidade.
_Não é uma cidade, é Redeguenguegue.
Maria mais que depressa, saiu na porta e chamou os vizinhos mais próximos dizendo-os:
_Acredita que estamos com estrangeiro hóspede em casa?
_Estrangeiro nada, era um pilantra se aproveitando de pessoas "simples".
O homem com meio dia que estava meio a esses humildes, ganhou a confiança de todos.
Andava tropeçando em tudo e sendo guiado pelos moleques que só não o higienizava quando ia ao banheiro.
Passado uns quinze dias que ali estava desfrutando da pobreza absoluta e que se encontrava somente com mulheres, crianças e adolescentes, pediu um espelho e um barbeador para que pudesse ele fazer a barba, e Maria o questionou:
_Se o senhor não enxerga, porque quer um espelho?
_Um dia já enxeguei e não perdi o hábito de ter um espelho em minha frente enquanto faço a barba.
Foi providenciado imediatamente o espelho e enquanto fazia a barba, piscava com aqueles olhos azuis quase se misturando a espuma pelo rosto.
Quando Geraldo voltou tarde da noite e que ficou sabendo do ocorrido, em gritos saiu em direção onde dormia, mas Redeguenguegue...???????????

































                               MARY PEGO

Nenhum comentário:

Postar um comentário