CANTÁ É MIÓ, NÉ?
Estou calada, mas nem pense que não entendi o deslanchar desse redemoinho.
Você já tinha imaginado me vendo um dia nesse silencio?
Penso que não, porque sabe da minha inquietude.
Sabe quando alguém se encoraja em tirar um chiclete velho da boca e grudar num canto onde passantes trafegam com fequência?
Assim estou.
Como uma lagartixa, me joguei contra a parede e aqui estou imóvel só assombrando os gatos que pasmos me olham assustados sem sequer piscar os olhos.
Se ousarem a me tocar, escalo-a e saio correndo
Sei que vai me entender porque "para um bom devedor, falar de economia já lhe basta."
Lembra das nossas alegrias e festanças?
Vamos cantar?
"Ocê disse que me viu de ovo virado,
mas ovo virado, eu como mêmo, é no café da manhã.
Disse que tô de barguia (braguilha) pra tráis,
tráis mêmo é porrete para nós se defendê.
Nóis num qué cuéca pra véio do fundo amarelo,
e nem quê vê sombração pedindo água noite a dentro.
Nóis num qué guarda chuva pra hômi do cabo torto,
e nem qué sombrinha pra muié que se abre atoa.
Isso nóis num qué di jeito ninhum.
Nóis qué mêmo é balançá o insqueleto e arregalá o ôio na muié do otro.
Nós num pode ficar amargo, pusqê todo tróço amargo é rejeitado no mundo.
Pensa?
Quem é que vai gostá de troço ruim, ansim?
MARY PEGO
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