domingo, 3 de julho de 2016

PAPAI ME SURROU, UMA SÓ VEZ,

                EM TODA A MINHA VIDA.

Somente aos meus treze anos de idade, foi que apanhei do meu papai pela primeira e última vez em minha vida.
Uma tarde com sol forte, o tempo começou a formar tempestade. Nesse tempo, tínhamos nos arranjado pra melhor tratando-se da nossa questão financeira. Morávamos num sítio e passamos a criar galinhas. Numa tarde quando vimos o tempo fechando pra chuva, eu e minha irmã mais velha, fomos proteger os filhotinhos das galinhas. Pegamos todos que tinham menos de quatro meses, colocamos dentro de um caixote de madeira e lacramos-o, com uma tábua.
Queríamos protegê-los, não matá-los.
Não demorou muito, papai e mamãe chegaram junto com o vento que já estava decidido a arrancar tudo o que havia em sua frente. E antes mesmo da tempestade abrandar, mamãe assustada, disse;
_Meu Deus, os franguinhos menores já devem de ter morrido todos!
Muito prestativa e cheia de querer me exibir, mostrei a minha eficiência, dizendo-lhe;
_Não mamãe, eu e a maninha, guardamos todos naquela caixa e fechamos muito bem para que a chuva não os matem!
Mamãe;
_ O quê? Não vão me dizer que vocês duas colocaram todos dentro daquele caixote, lacrou e ainda me dizem que fizeram bom serviço?  Uma hora dessas já estão todos mortos e cozidos pelo calor excessivo.
Depressa saiu no meio da chuva para verificação e constatou o que tinha acabado de nos dizer;
Demonstrando muito irritada, na volta veio com um pedaço de madeira na mão, passou pelo quarto dela, pegou a cinta que era do papai e repetidas vezes com um dos dedos em riste, falava;
_Não se salvou um só deles.
Pensei:
_Nós duas querendo ajudar, sentenciamos os bichinhos à morte.
Mamãe já havia reclamado dor de cabeça, mas mesmo assim, nos levou a um dos quartos e num canto, passou a nos açoitar. Ali, em gritos de; _pelo amor de Deus, não sabíamos, não faríamos mais e...cinta nos nossos lombos. Não se dando por satisfeita passou mão da ripa e continuou com a sua agressão. Quando já cansada, insultou o papai de forma a continuar, e ele já irritado com tudo, continuou.
Não sei por quanto tempo e o que aconteceu depois, só me lembro que acordei num hospital que já estava lá por dois dias.
Eu, depois de alguns dias, voltei pra casa, mas cada vez que adormecia, só me acordava com a ajuda médica. E assim fiquei por bons anos.
Por mais este motivo, foi que papai teve que voltar para onde sempre estivemos. Lá tinha hospital por perto para me socorrer quando voltasse a dormir e não mais acordar.
Tudo que acontece na vida da gente, de bom ou de ruim, vem para nos ensinar. Quem agride um filho, ou qualquer ser vivo, não pode ter coisa muito boa dentro do coração. Éramos e estávamos totalmente  indefesas e ali naquele canto, nos açoitaram até que perdêssemos a fala. 
E mesmo com esse acontecimento, não me fez com que eu perdesse o amor que sinto por eles. Amo-os de forma incondicional!
Tudo o que eu fizer nesta vida, será para defender aos que passarem por mim.
Antes de mamãe se ir, ao fazer com quê ela e papai se lembrassem desse episódio triste, choraram e me pediram perdão.
Podem acreditar, se eu pudesse, colocaria os dois dentro do meu peito e não permitiria que nada de ruim viesse a acontecer com eles!
EU OS AMO DO FUNDO DE MIN'ALMA!
COMO VOU AGREDIR PARTE DE MIM? 
COMO ALGUÉM TEM A CORAGEM DE DESTILAR O SEU ÓDIO PRA CIMA DE SEU PRÓPRIO SANGUE? 
Digo;
_Eles, (os meus pais) erraram feio, mas o perdão lhes concedi.

































                             MARY PEGO

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