domingo, 3 de julho de 2016

O DIA EM QUE PASSEI TREPADA NUMA ÁRVORE!

          NUMA DESSA, QUEM NÃO SE EXPLICA?

Mesmo agindo na total inocência, quando tinha uns dez anos de idade, passei por um apuro dos mais hilários em minha pouca existência!
Uma semana antes que aconteceria a passagem da boiada que tomava conta da estrada, (desde o amanhecer até o entardecer), passavam homens responsáveis para deixar a população em alerta que aquele dia marcado, não poderia sair ninguém de casa. Todos deviam ficar seguros em suas casas. Neste dia, milhares de bois tomavam o espaço com seus ponteiros administrados pelo capataz.
Os animais por serem xucros eram cercados e dominados a laço e a cachorros valentes.  Se algum boi se desviassem do caminho já traçado, adentrando matas ou vilarejos, eram perseguidos por cães pesados.
Eu, como sempre fui uma das criancinhas das mais "espertas,"sempre pendendo para o lado da idiotice, por estar faminta, já sonhando com a sopa que a escola oferecia todos os dias aos alunos, resolvi passar mão da minha sacola, com o meu escasso material escolar dentro e botar o pé no mundo.
Pensei
_Hoje só vai dar eu. A tia da cantina vai fazer um baldão de sopa, e eu vou me esbaldar de tanto comer.
A tia ( ÉLZA), era como um anjo pra mim. Fazia pães deliciosos, cortava fatias grossas e junto com um copo enorme de sopa, (muitas das vezes me escondia para poder me alimentar melhor). Ela me separava dos outros e como eu fosse seu filhote, me cuidava com amor. Ali comia como se fosse eu a rainha do colégio.
TE AMO ÉLZA! O MEU AMOR E CORAÇÃO TAMBÉM SÃO TEU. NÃO IMPORTA ONDE ESTEJA AGORA, VOU TE AMAR PARA SEMPRE!
O fato é que não andei três quilômetros e já ouvi latidos com o chão a tremer. Era a boiada se aproximando. Aqueles cachorros que vinham na frente da boiada, estraçalhavam tudo o que encontravam, não sobrava nada onde passavam.
Eu, mais que depressa, enfiei o meu pacote dentro da blusa e passei a escalar uma árvore. Não sei como consegui. Hoje depois de muitos anos do acontecido, perco o sono a me perguntar em silêncio.
_Como dei conta de tamanha escalada?
A árvore era grossa pela minha pouca força e tamanho medo. Mas também com uma tocha acesa na porta do rabo, quem não se explica, né? Só sei que fui muito veloz. Quando olhei para baixo, enquanto subia, os cachorros estavam rasgando as minhas roupas e o material escolar que me pertenciam.
Ali, em cima da árvore,  nua, passei o dia chorando.
Quando vi passar o último boi, não conseguia ter coragem para descer pelo medo da altura que me encontrava e  receio de que algum boi ou cachorro viesse me agredir.
Enquanto tentava, um senhor que estava à cavalo, foi quem me tirou de lá.
Quando cheguei em casa, mamãe estava em prantos. Revoltada com o mundo, porque a seguraram em casa enquanto não tinha noticias minha e sem poder me procurar.
Se saísse de casa, na certa morreria por mim.
Muito brava com o episódio, me perguntou;
_Por que saiu sem me avisar? Não sabia que hoje não haveria aulas? Quer apanhar? Onde esteve?
Respondi chorando com muito medo e fome;
_Passei o dia trepada numa árvore, para que os bichos não me devorassem.
_Safada! Desobediente! Tem que apanhar para que não se repita.
Aquele dia apanhei e não consegui comer por falta de forças.
O jantar foi me oferecido, mas nem sei como terminou.
EU ACREDITO QUE TEM ALGUMA DIVINDADE ME PROTEGENDO!

































                               MARY PEGO

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