quinta-feira, 10 de setembro de 2015

PRETO, POBRE E FEIO, NINGUÉM TEM PENA.



           
PENA? SÓ SE FOR DE "MOI"


O mundo todo indignado com o que vem ocorrendo com os refugiados na Síria.
Mas esse descontentamento é porque a situação chegou à Europa. Enquanto estavam sendo massacrados  em território insignificante para a sociedade ocidental, o sofrimento, assim como eles, não tinha importância. É aquela história; ninguém sabia, ninguém via. O que antes ninguém percebia, nem com o auxílio de um microscópio, agora com ares europeus, tornou-se o evento midiático mais catastrófico, pop e rentável dos últimos tempos. Aquelas criancinhas, encardidas, quem diria, né! Viraram gente, frente aos poderosos que antes as hostilizavam. Gente digna de comentários e até de direitos humanos. A marginalidade não é apenas física, étnica, social ou cultural, vemos que também é  territorial. É só pisar nas terras de Elisabeth II e Lord Byron, que a coisa muda de figura. Tem até milionário querendo comprar ilha para os refugiados. Muitos já perceberam que o "bom mocismo" e a "tecno piedade" rendem  muitos likes. Mas,voltando ao título dessa pseuda crítica, mais para devaneios literários de uma escritora numa tarde vazia, podemos nos perguntar: _ Quando esses seres, estavam recolhidos no seu desdito histórico social, vivendo um aparthaid, por serem, nas mais diversas sociedades, pretos, pobres e feios, ou, vivendo numa periferia capitalista, ninguém se compadeceu dessas pessoas. Muitos deterministas, como na tragédia clássica, apoiam: "Assim é, e assim sempre será". Esses heróis trágicos, assim como Édipo permaneceram em pé, mesmo sabendo do desfecho fatal, pois o mundo já lhes impôs um destino cruel, imposto pelo grande deus ( com letra minúscula mesmo) oportunista que manipula à todos para satisfazê-lo ao seu bel prazer.  Sim, meus caros, esse "deus" Senhor do mundo capitalista, do mundo globalizado e bélico tem uma ética e uma moral seletiva. E mais do que isso, induz os seus pobres súditos a transmitir quase por osmose os seus devaneios de dândi. 
Tão fácil corromper uma sociedade tão narcisista, uma sociedade guiada pela ilusão de um espelho quebrado, mas o deus dândi, senhor de um mundo tão...guiado pelo eurocentrismo e pelo americanismo (do Norte, claro) não nos permite pensar, quiçá reproduzir seus pensamentos vulgarizados. Pena? Só se for de "moi".




































                               MARY PEGO


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