terça-feira, 22 de maio de 2018

SOMOS UNS ABOBALHADOS ALEGRES,

                              E CHEIOS, ABARROTADOS DE RAZÃO.

Não abro as portas da minha casa para mostrá-la a ninguém.
Não por ter medo de olho gordo, ou que possa a vir ser invejada.
Não mostro-a, porque vivo na pobreza.
Um sentimento de quem um dia pensou que nunca ia ter, mas hoje tem.
 ORGULHO.
Há algum tempo atrás, seria bem diferente nessa questão.
 Não tenho bens materiais e aos olhos de quem vai ver, vai notar a falta de muita coisa.
Mas é bem nesse lugar que vem nascendo flores que se recusam a murchar.
A vida aqui tem muita força, de tão bom que o ambiente é.
Aqui a vida tem um respirar tão leve que me desperto todas as manhãs, com um cheiro de rosas.
Não tenho espaço para fazer um jardim, mas esse é o cheiro que adentra na minha janela.
É o cheiro da paz!
E eu que jamais pensei que paz tem cheiro?
Pois é; eu descobri isso sem querer.
Aqui na minha tapera, sorrimos mesmo sem muito do "o porquê da graça"?
Sorrimos simplesmente por estar leve.
Somos uns abobalhados alegres.
E cheios, abarrotados de razão.
Tudo, quero dizer, quase tudo que entra portão adentro nos trás alívio.
É claro que precisamos de muito, mas se algum dia chegar a vir, que seja um "muito" sobrecarregado de puro amor.
Temos problemas como todos tem, mas são coisas que a vida trás e ela mesma se encarrega de retirar da gente.


MARY PEGO

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