domingo, 4 de fevereiro de 2018

E OS MAIS OUSADINHOS, DEBOCHES E PORRETE.

                         GENTE CHATA E BISBILHOTEIRA.

Descansei o cotovelo no corrimão e passei a meditar.
Ali, ditei-me coisas que jamais pensei que ia me lembrar um dia.
Bem ali, num corrimão encerado e impregnado onde muitos passaram, e ainda passavam as mãos.
Mãos limpas, sujas e acompanhadas de todo mal, passavam deslizando sobre ele.
E no que isso acontecia, iam deixando ali somente a parte ruim de cada uma delas.
Bem ali, me debrucei e passei a chorar.
Ali curvada e muito humilhada, chorei fino, grosso, cantado, desafinado, e...
Muitos surpresos, acharam anormal aquilo, mas juro que tentei chorar certinho.
Chorei daqueles choros, que mesmo os menos espertos, jamais duvidaria que haveria som tão peculiar.
Num corrimão desconhecido, que passou naquele momento a me conhecer, pedi arrego.
E no que ele aceitou-me, lavei-o de lágrimas.
Porque tinha eu de lavá-lo em público?
Sim, estava sujo, mas logo eu tinha e higieniza-lo daquela mameira tão...?
Alguns passantes com ar de consternação, ofereciam-me lenços.
E os mais ousadinhos, deboches e porrete.
Quando vi que nem chorar em público e em paz se podia mais, saí como que estivesse fugindo de exame de abelhas, e fui chorar na cama que é um lugar quente e privado.
Gente chata e bisbilhoteira, é o que não falta na hora que estamos em apuro?


































                                 MARY PEGO

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