quarta-feira, 30 de novembro de 2016

ERA DIA.

                               MAS DEU MUITO CERTO.

Estou ciente do mal que essa história irá me causar, mas não tenho como deixar de contar esse relato (passagem) que se passou em minha vida.
Na minha infância, papai trabalhava para um empresário da madeira, era um trabalho totalmente escravo, e para piorar o chefe ainda fazia da família dos trabalhadores, suas vítimas também.  Nunca ele, (patrão) estava disposto a fazer o pagamento dos funcionários em dinheiro. E ainda pra piorar, tinha um filho que para se aproveitar da pobreza e ignorância dos mesmos, trazia mercadorias para o fundo da serraria onde todos eram obrigados a levar aquilo por um preço exorbitante, se não quisessem morrer de fome.
Eu não sei bem o porque, mas não acontecia sempre.
Era ruim, mas seria bem melhor do que fazia com frequência.
A maioria das vezes, (pelo fato de ser eles fazendeiros) caminhões lotados de bananas, que vinham ainda verdes, descarregavam para o consumo dos famintos. Aquelas bananas, ainda sem ter como ser consumidas, eram deixadas como se pagamento fosse. Papai e o resto, eram obrigados a receber aquilo se não quisesse morrer de fome. Com a contagem de dois cachos para quem tinha dois filhos e três para quem tinha mais.
Aquilo era o alimento pra semana.
Todo final de semana era a mesma coisa e por várias vezes, papai chegou a desmaiar no serviço.
Vejam que vida cheia de contradição tive eu?
Enquanto os meus pais choravam de desgosto, eu ficava feliz por poder ganhar mais que uma banana no dia.
Mamãe com os olhos em lágrimas por estar desesperada, cozinhava bananas verdes para me alimentar.
COITADA, A AMO MUITO MAIS QUE A MINHA PRÓPRIA VIDA!
Lembro-me, que mamãe fez uma jarra de água de sal bem fraquinha,  para que não ficássemos somente com o sabor da banana no estômago. E antes que adormecêssemos, ela, como que num ritual, depois de já estarmos acomodados na cama, deu-nos um gole daquela água para cada um de nós.
ERA DIA. 
Ela, (mamãe) queria que dormíssemos, para que não sentíssemos o cheiro do almoço do vizinho.
E DEU MUITO CERTO.
Foi exatamente o natal que confeccionamos o boneco que ficou destruído pelos vândalos de plantão. Texto que escrevi poucos dias atrás
Agora me diz, passei, ou não passei fome?



































                           
                  MARY PEGO

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