segunda-feira, 17 de outubro de 2016

ENTÃO; _PARA AGRADÁ-LOS,

PASSEI A FAZER UM SOM DE ANIMAL QUANDO VÊ UM BALAIO DE MILHO.


Ali com um sorriso sarcástico no canto da boca, ficou a me olhar, desde quando passei por ele, ao entrar num ônibus coletivo.
Fingi não perceber, mas os meus olhos teimosos insistiam em ver.
Percebi também que estava acompanhado, e lembrei-me, que conhecia a sua parceira.
Já tinha a visto pelas redondezas.
Fiquei no meu canto a me perguntar intrigada;
_Quem é ela? onde a vi? Mora em minha rua? ...Será? Talvez, sim!
Eles, pelo excesso dos cochichos e olhares sobre mim, despertaram os olhares de quase todo o resto, e então passaram a rir. Rir não, gargalhar.
Pensei;
-Quantos dentes à mostra, não? E todos esses sorrisos são para mim? Não creio!
Tenho que mostrar os meus também, pra sentirem que sou uma senhora bem educada, retribuindo-os com risos simpáticos.
Então; para agradá-los, passei a  fazer sonzinho de animal, quando vê um balaio de milho bem cheio.
_HOM, HOM, HOM, HOM.. 
Imaginei que tudo aquilo, fosse resultado, das minhas postagens loucas no meu dia dia.
Ali, no meu canto toda espremida por estar num veículo lotado, mesmo achando demasiado, acreditei que fosse  fruto do que escrevi, até então.
Então; como gosto de sorrir sempre, e para mostrar que de fato sou uma pessoa agradável, levantei uma das mãos e fiz um sinal de gratidão.
_OBRIGADA! OBRIGADA! OBRIGADA!
Mais que depressa, uma voz de não sei de onde saiu, gritou;
_Cínica!
Espantada feito vaca quando vê um pano vermelho, disse;
_Eu, cínica? O que foi que fiz?
Em gritos;
_Passou feito uma mula e levou a sacola deste rapaz!
_Sacola?
_A senhora tá morta? Não percebeu que tem algo a mais, pendurado em suas costas?
A sacola ainda continua enroscada em seu guarda chuva.
Ao perceber o tamanho da desordem, já sem jeito lhe disse;
_Desculpe-me, não percebi que tinha algo a mais na minha bagagem!
Claro que achei tudo muito mais pesado, mas nem de longe imaginei que fosse isso que estaria acontecendo.
Penso que foi desnecessário tudo aquilo que me fizeram.
Era só me pedir a sacola que lhe devolvia.
Ou então;
_Uma hora, a sacola ia acabar se soltando do guarda chuva, e se perderia pelo chão,
sem que eu tomasse conhecimento do problema.


































                        MARY PEGO

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