RECUPERAR?
Enquanto uns se estrebucham em gritos agonizantes, delirando com a febre e desvairos da corrupção,
outros batem palmas em volta do caldeirão fervente espremidos pelo povaréu.
Ali, todo tipo de temperos e fermentos é lançado da forma mais cruel e tempestiva.
Ensurdecidos pelos gritos do não e o sim, acabam por mergulhar nas águas ferventes de uma nação sem chefe.
CHEFE?
Onde está o dono e sabedor dos males que nos afligem agora? Quem foi que defendeu o nosso ontem?
Cadê os rastros, a sombra dos que me ajudaram ou dos que me feriram séculos atrás?
Quem foi o Judas que colocou tempero ardido nesse sopão?
Foram tantos os que cooperaram, que a sobra tem que pagar o pato.
SOU PARTE DESSA MALDITA SOBRA DESTINADA AO MISERÊ.
agonizo-ME desde que nasci, sem previsão de me recuperar.
RECUPERAR?
Desculpem-me, é que por vezes tenho surtos de que um dia já vivi bem.
Qual nada!
Esse maldito caldeirão, vem cozinhando e afogando quem um dia, tentou amparar e me ajudar.
Aqueles que mesmo sem poder, fizeram de tudo para trabalhar honestamente por mim, mas foram traídos sem piedade e sem pudor algum. Hoje, como cidadã, luto contra eles com unhas e dentes, na tentativa de sobreviver, se me der como vencida, me abatem sem temor algum.
Confiei cegamente que o meu país estava sendo defendido, enquanto o saqueavam as claras,
sob a luz do dia e com o meu consentimento.
CONSENTIMENTO?
Sim! Coloquei o meu voto na urna, e mesmo que o meu candidato não tenha sido eleito,
o meu voto serviu de porta para esse que está no poder hoje.
Não confiei nesse e na verdade nenhum deles, mereciam a minha confiança e fidelidade.
Hoje, mesmo destituída e sem esperanças alguma, tentam á qualquer preço me dizimar.
MARY PEGO
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