terça-feira, 26 de junho de 2018
INRI
O prefeito da cidadezinha, passou quase toda a sua gestão enrolando os seus eleitores e como já estava no último ano de gestão e pensando numa possível reeleição, resolveu contratar um médico para que a população pudesse ficar e estar agradecida na hora de votar.
Sem usar da burocracia escolheu a dedo o belíssimo Inri que aceitou o trabalho de primeira sem contestar.
Também, ninguém queria estar no lugar do jovem doutor. A cidade havia anos que não apreciava de tal regalias.
Um médico para um posto que iria funcionar para urgências e emergências, embora tivesse o prefeito ter que produzir, inventar um local para que o tal lugar entrasse em funcionamento e às pressas.
Antes mesmo de estar certo, já existia uma funcionária com as marcações de consultas na saída que dava pra rua, exposta à sol e chuva numa calçada com num caderninho improvisado. Nada que existia na cidade poderia comportar pacientes, mas o povo transbordando alegria e gratidão iniciara os ensaios para a recepção do tal. Se pudessem erguiam-os nas costas e não deixariam que sujassem as solas dos seus sapatos.
Na região, cerca de trinta quilômetros dali, onde se instalaria o posto médico e que seria também a morada do médico, morava o fazendeiro Ricardo com a sua esposa Sofia ha muitos anos. O casal logo que se uniram em matrimônio foram para essa região. Ano depois tiveram um filho com o mesmo nome desse médico que foi contratado, mas o garoto morreu antes mesmo de completar dois anos de idade.
Ricardo a partir da morte do garoto ficou rebelde, azedo e tristemente violento. Principalmente para Sofia,sua esposa. Sofia pelo tamanho sofrimento que passava, foi se definhando à ponto de perder o gosto de falar.
No dia que o então médico desceu as malas, foi uma festa só, pois o prefeito exigiu que a população brotasse de todos os buracos e fosse recebê-lo pelo menos com uma rosa, música, ou um lenço branco nas mãos.
A POMPA.
No que ele se aproximava lentamente a multidão foi se calando só pra minutos depois;
_Ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Inexplicável beleza e sedução masculina.
Nunca alguém por ali, tinha visto e sentido tanto numa só pessoa. No que caminhava, os cachos reluzentes em ouro dançavam sobre sua cabeça, pescoço e testa com as suas franjas longas. Muito bem vestido e de corpo chegando a um insulto se aproximava da multidão embebecida pelo glamour.
Ricardo o fazendeiro, ao ver tudo aquilo, começou a perder a compostura e aos berros começou a maldizer...
TRECHO DO LIVRO " AS ÉGUAS DE BRASÍLIA"
MARY PEGO
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