BURRICO! BURRICO! BURRICO...!!
Quando tinha eu, onze anos de idade, voltando da casa de uns amigos de meus pais, vi uma aglomeração de pessoas que pareciam atentos em algo muito importante. Apressei o passo para me aproximar, foi quando vi que um recém- chegado de não sei de onde tinha vindo, falava-os, com muito entusiasmo.
Eu, uma menina que gostava de matutar, fiquei ali ouvindo o que o homem tinha pra falar.
Pensando, ali em silêncio:
_Posso aprender alguma coisa com gente que veio de outro lugar.
Pra mim, tudo era de um outro mundo, menos daqui.
Eu era pouco esperta, e ao ver tanta bagagem ao seu redor, achei que tivesse vindo de outro planeta. _Quem sabe veio da lua? Refleti.
Ele quando percebeu o tamanho da curiosidade,do povo, e que todos estavam muito atentos e com muita sede de conhecimento, levantou o topete aproveitando a oportunidade para registrar a sua passagem por ali. Andou pra lá, pra cá, olhando fixamente ao chão, abaixou se, e com uma varinha rabiscou um circulo, dizendo:
_Pasmem! Vocês são pessoas de muita sorte, porque bem aqui está o meio do mundo.
Literalmente babei de tanta curiosidade. Fiquei numa admiração momentânea que até lacrimejei.
Alguns metidos a sábios passaram a falar.
...Mas o meio do mundo, senhor, fica numa terra gelada, muito distante daqui.
Outro.
Claro que não, fica perto a Argentina , divisa com a cordilheira dos andes.
Nada disso, dizia outro qualquer; _O mar morto, é que fica no fim do mundo, ...Ou no começo dele.
O homem que estava sendo o centro das atenções, pôs-se de pé, e disse com firmeza olhando para o desenho, como se estivesse verificando, e aumentou. _Queiram vocês, sim, queiram não, mas está milimetricamente aqui onde desenhei. Se medirem daqui pra lá, será a mesma medida em todos os pontos desse circulo.
Enquanto todos ali surpresos, um resolveu se rebelar com o resultado:
_Trambiqueiro! Gritou revoltado. _Como pode ficar tentando enganar tanta gente em praça pública? Quem você está pensando que é?
Com toda calma, o forasteiro passou a explicar:
_Senhor, tenho consciência do que falo.
Baixou-se novamente e falou como se fosse um professor experiente numa sala de alunos com sede de aprender. _Aqui bem na minha frente, mede tantos bilhões de metros, e se cada um de vocês quiserem me dar a contra prova, terei e aceitarei com muito respeito o resultado.
Fiquei ali sem saber o que falar, pensando:
_Se ele nos deu a liberdade de desmascará-lo, com tanta gente adulta vendo e ouvindo-o, é porque sabe do que está falando.
Ele olhava para os rostos ali presentes e falava com autoridade.
_Provem do contrário, porque estou esperando pelo primeiro pesquisador que seja melhor que eu.
Pensei, pensei, pensei e conclui:
_ Esse idiota está me passando pra trás, achando que não serei capaz de conferir o seu trabalho. Olhei bem dentro de seus olhos, e e lhe fiz a primeira pergunta de um doido bem pior que ele.
_Qual foi o tamanho do seu metro, quando você resolveu medir o tamanho do mundo, e quantos dias levou para concluir o serviço?
Pensou por um instante:
_...Medi com um metro comum e levei vinte e sete dias para a conclusão. Respondeu-me.
Decepcionada, questionei-o:
_Vinte e sete dias levou? Quanta lerdeza absurda, para um homem desse tamanho! Tem que ser um sujeito muito lerdo pra demorar tanto tempo. Eu faço melhor e com menos tempo que fez.
Mas acabei passando por um grande vexame ao criticá-lo, porque o pessoal achou que eu tivesse contado uma piada, de tanto que riram da minha cara.
Os mais jovens, ao invés de somente rirem, passaram a bater palmas e a gritar com caras de deboche:
BURRICO! BURRICO! BURRICO....!!
E sem ter como dizer mais nada sobre a questão, passei a chorar impulsivamente.
Por eu ser ainda muito criança, achei que as gargalhadas e xingamentos, não deviam ser direcionados a mim, mas ao sabichão que queria ser aplaudido sendo ele tão lerdo.
Então; me retirei dali, tomando direção a minha casa.
MARY PEGO
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