terça-feira, 25 de julho de 2017

QUANTA LERDEZA, PARA UM HOMEM DESSE TAMANHO!

                         BURRICO! BURRICO! BURRICO...!!


Quando tinha eu, onze anos de idade, voltando da casa de uns amigos de meus pais, vi uma aglomeração de pessoas que pareciam atentos em algo muito importante. Apressei o passo para me aproximar, foi quando vi que um recém- chegado de não sei de onde tinha vindo, falava-os, com muito entusiasmo.
Eu, uma menina que gostava de matutar, fiquei ali ouvindo o que o homem tinha pra falar.
Pensando, ali em silêncio:
_Posso aprender alguma coisa com gente que veio de outro lugar.
Pra mim, tudo era de um outro mundo, menos daqui.
Eu era pouco esperta, e ao ver tanta bagagem ao seu redor, achei que tivesse vindo de outro planeta. _Quem sabe veio da lua? Refleti.
 Ele quando percebeu o tamanho da curiosidade,do povo, e que todos estavam muito atentos e com muita sede de conhecimento, levantou o topete aproveitando a oportunidade para registrar a sua passagem por ali. Andou pra lá, pra cá, olhando fixamente ao chão, abaixou se, e com uma varinha rabiscou um circulo, dizendo:
   _Pasmem! Vocês são pessoas de muita sorte, porque bem aqui está o meio do mundo.
   Literalmente babei de tanta curiosidade. Fiquei numa admiração momentânea que até lacrimejei.
   Alguns metidos a sábios passaram a falar.
   ...Mas o meio do mundo, senhor,  fica numa terra gelada, muito distante daqui.
Outro.
   Claro que não, fica perto a Argentina , divisa com a cordilheira dos andes.
   Nada disso, dizia outro qualquer; _O mar morto, é que fica no fim do mundo, ...Ou no começo dele.
   O homem que estava sendo o centro das atenções, pôs-se de pé, e disse com firmeza olhando para o desenho, como se estivesse verificando, e aumentou. _Queiram vocês, sim, queiram não, mas está milimetricamente aqui onde desenhei. Se medirem daqui pra lá, será a mesma medida em todos os pontos desse circulo.
   Enquanto todos ali surpresos, um resolveu se rebelar com o resultado:
   _Trambiqueiro! Gritou revoltado. _Como pode ficar tentando enganar tanta gente em praça pública? Quem você está pensando que é?
   Com toda calma, o forasteiro passou a explicar:
   _Senhor, tenho consciência do que falo.
Baixou-se novamente e falou como se fosse um professor experiente numa sala de alunos com sede de aprender. _Aqui bem na minha frente, mede tantos bilhões de metros, e se cada um de vocês quiserem me dar a contra prova, terei e aceitarei com muito respeito o resultado.
  Fiquei ali sem saber o que falar, pensando:
   _Se ele nos deu a liberdade de desmascará-lo, com tanta gente adulta vendo e ouvindo-o, é porque sabe do que está falando.
   Ele olhava para os rostos ali presentes e falava com autoridade.
   _Provem do contrário, porque estou esperando pelo primeiro pesquisador que seja melhor que eu.
   Pensei, pensei, pensei e conclui:
   _ Esse idiota está me passando pra trás, achando que não serei capaz de conferir o seu trabalho. Olhei bem dentro de seus olhos, e e lhe fiz a primeira pergunta de um doido bem pior que ele.
   _Qual foi o tamanho do seu metro, quando você resolveu medir o tamanho do mundo, e quantos dias levou para concluir o serviço?
Pensou por um instante:
   _...Medi com um metro comum e levei vinte e sete dias para a conclusão. Respondeu-me.
   Decepcionada, questionei-o:
   _Vinte e sete dias levou? Quanta lerdeza absurda, para um homem desse tamanho! Tem que ser um sujeito muito lerdo pra demorar tanto tempo. Eu faço melhor e com menos tempo que fez.
   Mas acabei passando por um grande vexame ao criticá-lo, porque o pessoal achou que eu tivesse contado uma piada, de tanto que riram da minha cara.
Os mais jovens, ao invés de somente rirem,  passaram a bater palmas e a gritar com caras de deboche:
BURRICO! BURRICO! BURRICO....!!
E sem ter como dizer mais nada sobre a questão, passei a chorar impulsivamente.
Por eu ser ainda muito criança, achei que as gargalhadas e xingamentos, não deviam ser direcionados a mim, mas ao sabichão que queria ser aplaudido sendo ele tão lerdo.
Então; me retirei dali, tomando direção a minha casa.


































                            MARY PEGO

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