domingo, 12 de fevereiro de 2017

HUMBERTO DE ALENCAR CASTELO BRANCO.

                           ( DELÍRIOS DE NIETA)    
                                         
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(NIETA) Tive tantas chances de me dar bem na vida, e portanto não consegui nada até agora.
Sou mãe de cinco filhos, viúva, e...Estou dando uns pegas num homem ai.
...Estou me dando bem, e ele parece me amar. O meu homem, faz de tudo pra chamar a minha atenção...E olha que apesar da idade que nós dois já temos, acho que vamos conseguir botar fogo em Roma. É muito chamego para (prum) um homem só.
Temos tudo pra dar certo como um casal, mas como não nasci ontem, vou botar as minhas barbas de molho quando se trata de olho gordo.
Tenho quatro filhos, três adultos e um entrando na puberdade. E como as coisas não andam bem para a minha filha do meio, o melhor mesmo é ficar com as minhas ventas bem abertas.
NÃO DIZEM QUE INVEJA MATA? POIS É.
Claro que eu tinha que achar um partido bom, pois venho de uma linhagem familiar de sangue azul. Pasmem! Sou sobrinha de Humberto de Alencar Castelo Branco.
_Babou? Não acreditam só porque ele nasceu em 1897, e eu como sobrinha dele estou  parecida com uma garotinha? Não envelheço por me cuidar muito.
Ele, ( titio) nasceu em Fortaleza e com apenas sessenta e nove anos nos deixou. Morreu muito jovem ainda..Se deixou testamento, deve de ter me esquecido. AH! Como havia de me esquecer do romancista Jose de Alencar? Sim, ele era seu parente por parte de mãe, onde trazia Alencar no sobrenome.
Agora viram quem de fato sou?
"UMA NOBRE".
Mas tudo isso, só acaba por me deixar ainda mais triste.
Levo uma vida muito simplória, enquanto o resto dos parentes usufruem das regalias que ele nos deixou.
A minha filha do meio, vive espumando a boca de tanta raiva ao se lembrar que é parente de gente fina e que vive na nobreza.
A miserável nem rezar consegue mais. Passa o tempo todo blasfemando, se maldizendo e desejando mal aos outros. Não se conforma de jeito nenhum. Penso que tudo pode desmoronar e a minha vida pode virar num inferno, com uma doida confinada dentro da minha própria casa.
Quer saber? Conto pra todo mundo mesmo! Quero que todos saibam e que nos respeitem como uma extensão da família do Castelo Branco.
Ela, (a minha filha) está vindo morar comigo, sabe? Não tem emprego e não tem como pagar o seu sustento e aluguel. A coitada está louquinha de pedra e vejo nisso tudo, um grande perigo para o meu relacionamento. Temo que posso estar numa situação quase que insustentável!
Tem pouco tempo que estou de marido novo. Penso que ele pode a vir esmorecer e até me deixar, por não suportar os surtos que ela acostuma dar de vez em quando. São poucos os surtos... Mas é uma fúria destruidora e quase que permanente. Aquilo só dura até acabar, mas o problema é que não acaba nunca. Difícil mesmo é fazer com que se esqueça da "nobreza" que ela poderia estar vivendo.

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Hoje, Mari Lena chegou com os seus dois filhos menores de cinco anos. Trouxe na bagagem, muitas roupas malhadas pelo tempo. Se não bastassem as velharias, todos os seus pertences vieram com cheiro de morrinha. Coitada! Não havia meios para lavá-los. No que os avistei, vi nos seus filhos, olhos, bocas e lágrimas, de tanto que choravam. Pouco do transtorno, era por estranhar a minha figura tão desconhecida para eles, a outra, era por fome mesmo. Se fossem somente os gritos, agressões com palavrões que a minha mari Lena acostuma falar, acho que até dava pra suportar, mas no que chegou, seus olhos depois de rápida verificação do ambiente, estacou, grudou pra cima do meu homem. Não tinha mais nada e ninguém pra olhar...
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Veja se a pobrezinha não tem razão de estar enraivecida? Até eu, né?....
FICÇÃO. Nº, PG EM ANDAMENTO.



































                           MARY PEGO

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