Vale
de ossos e a reencarnação de Tasko, é uma história romântica, mas não melosa, é
romântica num sentido mais idealista, mais forte. Tasko, seu personagem
principal quase o tempo todo narra a história sob o seu ponto de vista, o que
dá uma maior subjetividade ao enredo. O personagem principal e a autora assim
como faz Machado de Assis em seus romances instiga o leitor a acompanhar a
história, e como Shaskespeare mistura tragédia com comédia além de ter um
“louco” que na verdade luta por seus ideais e clama por justiça.
Os
recursos utilizados por Mary Pego são por demais imagéticos, beirando, às
vezes, ao narcisismo proclamado pelo cinema e, às vezes, ao dionisíaco como um
bom folhetim ou teatro de feira.
No
decorrer da trama o corriqueiro se mistura com o sobrenatural, em meio a um dos
capítulos, cheguei a pensar se Tasko (“Hamlet”) iria pronunciar a famosa frase
“ser ou não ser” para sua “Ofélia – Oksana”, mas assim como a obra
renascentista espectador-leitor fica até o fim de a história sem saber se é
loucura ou se é estratégia de uma mente inteligente.
Ler
o Vale de ossos e a reencarnação de Tasko; parece-me aqueles bons programas de
arte para o povo que leva orquestras geniais a tocar sucessos populares para
iniciação de público, ou o contrário, como fez o mestre Villa Lobos em que sua
genialidade está justamente em misturar o erudito com o popular. De fácil
leitura, Mary trás uma história capaz de trazer todas as qualidades e surpresas
de uma boa literatura, no entanto, ao alcance de várias faixas etárias e
experiências culturais.
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